Na
quarta-feira de cinzas começávamos a nos preparar para Pentecostes. Momento das
cinzas, quando lembrávamos que do pó viemos e ao pó voltaremos. Momento em que
recordávamos que o Senhor Deus insuflou nas narinas de sua mais bela criatura;
sua obra prima: o homem e a mulher, o sopro da vida.
Vida
que fora maculada com o pecado. Adão e Eva nos traíram naquela tarde no
Paraíso. E conhecendo o pecado prosseguimos nossa caminhada, porém, agora, o
Paraíso não eram mais árvores e jardins, mas um Projeto: a Economia da
Salvação.
Arautos
de Deus ao longo de uma jornada, longa jornada, dando a vida em testemunho
profético para resgatar o homem e a mulher ao Paraíso de Deus. De fato uma
caminhada lenta, porém muito extensa rumo à salvação.
E
Jesus veio; o próprio Deus se nos vindo na pessoa do Filho. Um Jesus que como
homem se fez como nós em tudo, menos no pecado. E primeiro fez a vontade do
Pai, depois deixou-nos uma herança: a Igreja.
Igreja
essa que a podemos comparar com uma barca. Não como um navio com inúmeras
chaminés, nem com um iate, bote ou canoa, mas uma barca. Barca com lindos e
amplos estandartes içados ao vento. Velas ao vento! Um vento soprando a barca
para frente, adiante, sempre por águas mais profundas.
O
vento insuflado em nossas narinas voltava a nos visitar. E somente depois de
passar pela Cruz, o Senhor Jesus que por nós deu sua vida para nos salvar é que
veio para estar com os discípulos e Maria, nossa mãe, no Cenáculo para
desejar-lhes a Paz e soprar-lhes, não mais nas narinas, mas direto ao coração
os dons do Espírito Santo de Deus.
Dom
da Fortaleza para que aprendendo com as experiências da vida o nosso coração
vai aos poucos ficando forte para suportas as tribulações sem esmorecer-se, sem
fraquejar, mas prosseguir, pois que a força se nos vem do próprio Deus.
Dom
da Inteligência para que desenvolvendo o corpo vamos buscando informações e
formação à alma. Pensar para agir, para não agir sem pensar. A inteligência
sendo a ferramenta, em Deus, um aliado da fé.
Dom
da sabedoria para que unida à maturidade possa ser a armadura para livrar os
homens de boa vontade de seguir o caminho do mal. Não se é sábio da noite para
o dia, e nem quando se é criança; pois pergunte a uma criança se com o dinheiro
em mãos se compra uma casa para morar, ou se vai para uma viagem de um mês a
Orlando... Ela dirá rapidamente: vamos para Orlando! A sabedoria não é mágica,
mas experiência vivenciada cotidianamente como aliada da maturidade.
Dom
da piedade para que o rezar seja a expressão da inocência que fora perdida no
primeiro Paraíso. Falo da inocência da criança, no sentido do Evangelho, para
se poder compreender as coisas do alto. Orar piedosamente para alcançar o
coração puro de Deus.
Dom
do conselho para que a inspiração do Espírito Santo nos faça instrumento de
intercessão na vida dos irmãos. Digo novamente que uma criança ainda não sabe
aconselhar, mas depois das tribulações da vida, o conselho, em Deus, será a
moção do Espírito Santo para a reta intenção do mundo.
Dom
de ciência, pois que é necessário saber, conhecer para amar. Não se ama o que
não conhece. O saber como instrumento do amor. O conhecimento da Palavra de
Deus e das obrigações a Cesar. O homem em seu estado de excelência para que
seja ainda mais útil o seu despojamento para ser de Deus. Aqui o grande risco:
quando a Lei fica maior que o Amor! Cuidado com os manuais, com os estatutos,
com os documentos, pois se presos a eles, corremos o risco de perder o momento
da graça. Era ou não lícito curar nos sábados?...
Dom
do temor de Deus. Não um medo como o medo de escuro, de elevador, de bicho
papão. Um medo suave para reconhecer Deus como aquele que é Maior. E sentir no
mais profundo da alma o quanto é salutar entender a dimensão do poder de Deus
na sua onipotência, onipresença e oniciência.
E
essa igreja, barca com velas içadas ao vento, onde cada vela é cada um de nós, vai
navegando pois que o vento sopra onde quer e o hálito de Cristo, pois que
passado pela Cruz, é o aroma suave que vem sobre nós ainda a nos queimar em
Dons, Paz e Amor.
Obrigado
Igreja Católica Apostólica Romana!
Viva
Pentecostes!
Amém.

